Afluente da margem direita do rio Douro onde desagua junto à localidade de Tua (com o mesmo nome do rio), o rio Tua resulta da junção de dois outros rios: o rio Tuela e o rio Rabaçal.
A junção ocorre a 3 quilómetros a norte da cidade de Mirandela.
O Rio Tuela e o Rio Rabaçal nascem em Espanha, sendo que o Tuela nasce em Castela-Leão e o Rabaçal na Galiza, entrando ambos em Portugal através do concelho de Vinhais. Os dois rios têm uma extensão semelhante, e ambos contam com dois afluentes que correm paralelos a eles, também estes com distâncias semelhantes: o Rio Mente no Rio Rabaçal, e o Rio Baceiro no Rio Tuela. A foz destes rios afluentes localizam-se também no concelho de Vinhais. O Rio Mente faz inclusivamente num breve trecho do seu curso a fronteira entre Portugal e Espanha, na zona portuguesa de Vinhais denominada de Terras de Lomba. O Baceiro por seu lado delimita também numa distância reduzida os concelhos de Vinhais e de Bragança, numa zona que envolve uma das maiores manchas de carvalho da Península Ibérica.
Os rios Tuela e Rabaçal seguem os seus cursos paralelos um ao outro, seguindo o primeiro de Vinhais para o concelho de Mirandela, e o segundo de Vinhais para os concelhos de Valpaços e de Mirandela.
O rio Tua tem sido um rio muito mal tratado. Para além das descargas dos esgotos residenciais, no Cachão (aldeia situada a 13 kms a sul de Mirandela) ainda hoje o rio recebe, sem qualquer tratamento, o que sai pelos esgotos das empresas que se instalaram no ex-Complexo Agro-Industrial do Cachão (com excepção para o Matadouro industrial, que ao fim de muitos anos tem uma ETAR em funcionamento)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Tua
A Linha do Tua é uma ligação ferroviária em bitola métrica (via estreita), que liga a estação do Tua (partilhada com a Linha do Douro) à estação de Bragança, em Portugal.
A Linha do Tua tem uma História que remonta a 1878, quando foram apresentados dois projectos distintos para a construção de uma via-férrea no Vale do Tua, um pela margem direita (engenheiro João Dias, condutor Bernabé Roxo, sob direcção do engenheiro Sousa Brandão), e outro pela margem esquerda (engenheiro António Pinheiro). Seria este último o que viria a ganhar a corrida.
Nesta fase, a Linha do Douro avançava vinda do Porto com destino à fronteira do Rio Águeda com a Espanha, em Barca d'Alva. O intuito da Linha do Tua seria, embrionariamente, assegurar uma ligação entre o Douro e Zamora. O seu traçado veio a prever depois uma ligação a Vinhais, seguindo o vale do Tuela ou o planalto entre o Tuela e o Rabaçal, mas a dureza deste traçado superaria o do próprio Baixo Tua onde a linha acabou por avançar, sendo pois abandonado.
Em 22 de Junho de 1882 a Câmara de Mirandela apresentou à Câmara dos Pares do Reino a aprovação do projecto de lei para a subvenção de 135 contos de réis, para cobrir a garantia de juro de 5% para a empresa que viesse a construir a Linha do Tua. Em 11 de Janeiro de 1883, ano em que a Linha do Douro chegaria à estação do Tua, a Câmara de Mirandela apelou ao Rei D. Luís I para a aprovação da Linha do Tua, acto para o qual veio a contar com o apoio da Associação Comercial do Porto, que pretendia salvaguardar os seus interesses ao dar mais força ao Vale do Douro como via de transporte, em detrimento de vias mais a Sul, como Aveiro a Vilar Formoso.
Em 26 de Abril de 1883, é lançado em Carta de Lei o concurso para a construção da Linha do Tua, ficando ao Conde da Foz adjudicada a obra; viria a trespassá-la à Companhia Nacional de Caminhos-de-Ferro (CN - cujo símbolo é ainda visível na estação de Bragança), em Dezembro desse ano. O grupo que construiu a primeira fase da Linha do Tua (até Mirandela) foi o mesmo que veio a construir a Linha do Dão (Santa Comba Dão - Viseu), primeira via-férrea a chegar a Viseu, antes da Linha do Vouga, inaugurada em 1890. As semelhanças entre estas duas vias estreitas passam ainda pela partilha do mesmo engenheiro: Dinis da Mota.
Em 26 de Maio de 1884 é confirmada a adjudicação da obra à CN, assinando-se o contrato definitivo em 30 de Junho do mesmo ano. A 16 de Outubro, a Linha do Tua começa a ser construída, a partir de Mirandela, rumo à Foz do Rio Tua.
A obra teve nos seus primeiros quilómetros uma tarefa facilitada: inserida num vale aprazível e plano, até chegar ao estreitamento de Abreiro, apenas um túnel foi escavado (Frechas), além de esporádicas trincheiras e pontões, com uma única ponte metálica de pequenas dimensóes no Cachão.
No entanto, Abreiro tornou-se o prenúncio de uma das obras mais extraordinárias de sempre da engenharia portuguesa. Fruto das dificuldades do terreno, e de uma força de trabalho altamente conflituosa, o engenheiro responsável deixou o seu lugar vago, dando entrada a um dos mais notáveis engenheiros portugueses do século XIX, o engenheiro açoriano Dinis da Mota, que viria também a deixar a sua assinatura na Linha do Dão.
Com o pequeno prelúdio de Abreiro ultrapassado pelos primeiros grandes paredões de suporte e a maior ponte metálica até então necessária (destruída e substituída após cheias no Rio Tua no início do século XX), o Vale do Tua volta a dar tréguas, com algumas dificuldades que começam a ser cada vez mais contínuas. A partir da Brunheda, entra-se no Baixo Tua, e começa a fase mais épica da construção da Linha do Tua.
Em apenas 10 km, a partir da estação do Tua, foram necessários dois viadutos e uma ponte (Presas, Fragas Más e Paradela), e cinco túneis (Presas, Tralhariz, Fragas Más I e II, e Falcoeira) que totalizam uma distância de 456 metros. Estes, particularmente na zona das Fragas Más - garganta do vale formada por rochedos titânicos, foram conquistados à Natureza com métodos e homens tão temerários como os que ficavam presos por uma corda a uma plataforma elevada nas escarpas, baixados até à plataforma da via, onde acendiam o rastilho da dinamite e eram rapidamente subidos para a plataforma, antes da encosta vomitar pedaços de rocha na explosão.
A 27 de Setembro de 1887 a Linha do Tua era inaugurada, com a locomotiva E81 baptizada Trás-os-Montes, e conduzida pelo próprio Dinis da Mota. Em Mirandela, a grande estação (a maior estação de via estreita portuguesa) acolhia entre muitas figuras ilustres, El-Rei D. Luís I. A 29 desse mês a linha era aberta à exploração.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_do_Tua

1 comentários:
Desta vez não há 1 fotografia favorita! Estão muito boas :)
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